Não quero virar o nosso disco e perder a nossa música. Não quero olhar para trás e descobrir que você ficou, eu fiquei, nós ficamos, em tempos diferentes. Mas tudo o que não é para ser, há de ter um depósito para a dor. O nosso fica em que rua? Necessitamos de cuidados e não sabemos nos cuidar, você tem espinhos e eu cicatrizes, encaixes que não sabem fazer bem. Eu tenho a despedida na ponta da língua, mas é decadente demais abanar de longe para um amor que sequer se fez presente além de aqui em mim nas minhas noites e dias confundidas pela cor dos teus olhos. Quando o disco virar, descobriremos tudo arranhado, inclusive nós. E não há música que toque na nossa distância.
— Camila Costa